Quarta-feira, 20 de Agosto de 2008

As contas à blogosfera

Faz três anos, três meses e vinte e seis dias que criei o meu primeiro blog. Foi dos passatempos mais saudáveis que eu podia ter arranjado. Estou a falar a sério. Este tempo todo nestas andanças pode não me ter tornado muito mais eloquente no que toca a linguagem HTML, ou ter-me feito ganho muito mais habilidade em me exprimir (as transcrições dos monólogos interiores continuam tão caóticas como sempre), mas fez milagres pelo meu civismo e pela minha sanidade mental.
Um dos meus maiores defeitos - não, não é defeito, é um traço de personalidade que me deu dores de cabeça - é conseguir ver as coisas de muitos ângulos, adaptar-me facilmente a diferentes pontos de vista. De modo que a minha vida era mais ou menos papaguear opiniões alheias, e tremer constantemente com a possibilidade de alguém a querer discutir comigo. Eu sentia-me sempre tão frágil com a hipótese de alguém se virar para mim, rir-se e dizer "rapariga tonta, não sabes nada disto" ou qualquer coisinha dessas. E eu não tinha força para defender o que dizia porque o que eu dizia não era meu, mas discursos repetidos ou porque me tinham soado lógicos ou atraentes, ou porque as pessoas que os tinham dito estavam nalgum tipo de pedestal, ou simplesmente porque era a única coisa que tinha ouvido sobre o assunto e as opiniões verdadeiramente minhas sempre me pareceram demasiado íntimas para as expor. O resultado foi que, para além de não conseguir ter uma conversa decente sobre qualquer coisa importante com ninguém, me tornei na pessoa mais incoerente, mais confusa e contraditória do mundo.

Quando comecei a ler blogs dei de caras com centenas de opiniões diferentes. Um dizia isto e outro aquilo, muitas vezes no mesmo português correcto que, inconscientemente, era o único requisito para aceitar a ideia. Só que o autor já não era nem a televisão, nem um livro, nem uma entidade "superior". Não havia pedestais. Algures, eu tive que pôr os pés à parede e começar a detectar as falácias (pronto, as aulas de filosofia pelo menos tiveram o mérito de me encher o vocabulário com palavras finas). Ou seja, aprendi o que é que "pensar pela minha própria cabeça" até significava mais do que não aceitar droga dos amigos.
Quando comecei a escrever o meu blog, foi mais ou menos porque eu queria mostrar o que pensava a alguém. O anonimato parecia ser escudo suficiente para essa sensação de que as minhas opiniões eram demasiado íntimas, para o medo que também ao dizê-las desdenhassem da forma que só os adultos "adultos" sabem fazer aos jovens. E mesmo no anonimato, tinha sempre um quê de medo de abrir a caixa de comentários. À medida que fui conhecendo pessoas que sabiam discordar de mim sem usar aquele tom, o medo foi desaparecendo. Esta cabecinha entendeu que quem quer que entrasse por aqui adentro a chamar-me todos os nomes de que se lembrasse porque não pensava o mesmo que eu não era pessoa cuja desaprovação me devesse deixar melindrada. Parece que houve umas quantas entidades "superiores" que assim a modos que desceram abruptamente à terra.

E é isto. Eu até posso ser amalucada, lunática, cheia de manias que não lembram ao diabo, possivelmente com um distúrbio de múltipla personalidade, incapaz de levar qualquer projecto até ao fim, convencida e com uma auto-estima miserável ao mesmo tempo, mas pelo menos sou sensata. Espero.

Quinta-feira, 7 de Agosto de 2008

La Vie en Rose

Digamos que eu sou uma pessoa assim complicadita quando o assunto são compras. Ou é amor à primeira vista ou nada feito. Traduzindo, comprar uns óculos de sol novos, já que os meus outros tinham uma lente rachada e hastes descascadas, foi um drama capaz de envergonhar qualquer novela que se preze. Mas lá me arranjei.
Acontece que as lentes dos meus óculos são ligeiramente cor-de-rosas. Meias arroxeadas, nada cá daqueles cor-de-rosa tipo cor das paredes do meu quarto escolhida quando eu tinha quatro anos e amava a Barbie, essas cores que até provocam arrepios na espinha. Mas, para todos os efeitos, tenho andado a ver o mundo com óculos cor-de-rosa. E não é que é tudo mais bonito? Principalmente na praia, que tudo tem um aspecto mais ou menos amarelado e deslavado.

(O que também me arrepia a espinha é pronunciar uma palavra que seja em francês, tendo em conta a altura do ano. Mas era um título demasiado bom. Por falar no assunto, ontem fui ao Intermarché. A primeira coisa que me veio à cabeça é que uma certa greve de camiões parecia, de repente, uma brincadeira de crianças.)

Quarta-feira, 6 de Agosto de 2008

Cliquemania

Há muito (pronto, há um período de tempo razoável) que cheguei à conclusão que o meu quase transtorno obsessivo-compulsivo em ir a todos os lados e mais algum de máquina fotográfica em punho a disparar a tudo o que mexe (a tudo o que não mexe, aliás; tirar fotografias a seres animados é das experiências mais ingratas que há) me impede de apreciar os meus passeios turísticos. Na verdade, eu mal olho ao lado; estou demasiado preocupada a regular o tempo de exposição e coisas que tais e a amaldiçoar os contrastes demasiado altos. A única solução que arranjei até hoje é deixar a máquina em casa. Mas nunca tenho coragem.

Terça-feira, 5 de Agosto de 2008

Lendas Urbanas

O nosso informador jura e atesta a veracidade da história . No caso de se conseguir descobrir o paradeiro da pessoa que, por pressuposto, esteve involvida no incidente, pois bem, chega-se à conclusão que o sucedido foi com um amigo dessa pessoa. Ou ao amigo de uma amigo.
Bem-vindos à mitologia moderna - que não diz respeito a deuses e a deusas, mas sim a gente homicida que pede boleias, a amas em perigo e a fornos micro-ondas.

Túlipas de Amesterdão (A pessoa que pedia boleia), de Ian Watson
Histórias do Paranormal I

Sábado, 2 de Agosto de 2008

Já cá estou outra vez


Pois foi, pirei-me e sem dizer água vai. Estive na praia, como de costume (mas apenas uma semana, não como o costume), no sítio absolutamente mais kitsch do mundo. E não levei o meu querido computador. Um pequeno hiato tecnológico, hã?
E por falar em kitsch, sabem quem também o é muito? Agosto. Agosto é sem dúvida o mês mais kitsch do ano. E kitsch, para quem não souber, é uma forma chique/intelectual de dizer foleiro. Só que kitsch implica que o mau gosto em questão seja apreciado. E eu gosto da foleirice de Agosto. Diverte-me. Quando não me dá vontade de cortar os pulsos, isto é.


Domingo, 20 de Julho de 2008

Coisas


Caí no grandessíssimo erro de fazer o download dos e-books da Trilogia das Jóias Negras para dar uma espreitadela ao último, a Teia de Sonhos, que a biblioteca ainda não tem. Ou seja, eu tenho passado o tempo todo desde essa altura vidrada no Microsoft Reader (eu, que odeio e-books e ler livros no computador) não só de volta do último como de todos os outros três (e do dicionário inglês-português; o meu inglês, senhores, é uma grandessíssima porcaria). É só que eu fico completamente obcecada na história, e de forma nada saudável. Adiante.
Entre a música nova incluí-se os Dead Combo (a música mais esquisitóide, ou seja, estou apaixonada), o álbum completo da Laura Marling. Também gosto da Jolie Holland, mas a coisa está mais complicadita para esses lados. Isso e o último disco dos Portishead. Mas enfim. Só a minha mais recente devoção com a Tori Amos deve dar-me música nova para ouvir até ao fim do ano. Pelo menos agora tenho uma colecção digna da minha afirmação de que ela é, sem margem para dúvidas e do fundo do meu coração, a minha cantora preferida.
Enfim, eu sei que para isto é que serve aquele espaçozinho ali na barra lateral, que não é actualizado há meses, mas não me apetecia entrar no Blogger.


Os Dois Sítios Mais Aborrecidos do Mundo


Missas e touradas. Garanto-vos que, tendo em conta toda a minha experiência em situações de tédio, que se diga em boa verdade que não é nada modesta, cheguei à conclusão que são estes os locais onde o tempo efectivamente pára, o que representará certamente uma justa alternativa tanto ao creme anti-rugas como à criptogenia.
É que nem a porcaria de um livro se pode ler. Acreditem, eu já tentei - na tourada, não na missa. Toda a gente viu. Até uma amiga minha, que estava no outro lado da praça, me chateou a cabeça com isso. Graças a Deus, lá vai o tempo onde me arrastavam para tais coisas. E sei que Deus certamente receberá os meus agradecimentos com alegria, até porque lhe fiz o favor de lhe desamparar a loja. (A sério, já tentei substituir as expressões onde uso a palavra Deus, pois tal poderia dar a entender que sou crente e que participaria de boa vontade em certos eventos aborrecidos e coisas assim. Só conseguia substituir por asneiras, de modo que voltei a Deus. Deus, se me estiveres a ouvir, não leves a mal.)


Quinta-feira, 17 de Julho de 2008

Google Earth


Acabo de descobrir que existem quatro locais no mundo chamados Tomar: o Tomar ali da esquina, um Tomar no Brasil, que ainda, pronto, vá lá, e dois no Cazaquistão. Por este andar, ainda descubro que partilho o nome da minha santa terrinha com alguém na China.


Quarta-feira, 16 de Julho de 2008

Bolas bolas bolas


Está toda a gente demasiado ocupada a gozar as suas férias, ao que parece, para que possam ter tempo para compartilhar comigo relatos de deagraça. Aliás, parece que, por esta idade, já ninguém tem relatos de desgraça de Verão para contar. Quando os pais são chatos chatos chatos chatos vão simplesmente de férias os filhos. Excepto eu, claro. Não fosse eu a lorpa de sempre que até dava para estranhar.
A sério, eu vou aqui enfiar a cabeça na areia, e chamem-me quando eu poder mandar na minha vida, por favor.


Domingo, 13 de Julho de 2008

Hereges, é o que é

Em seguida, pediu o almoço, servido na cabina. Quanto a ver a cidade, nem lhe passou pela cabeça. Era dessa raça de inglese que mandam visitar, pelos criados, os países que percorrem.
A Volta ao Mundo em Oitenta Dias

Quarta-feira, 9 de Julho de 2008

...


Estive a dar uma vista de olhos num site sobre irlandês. Não é coisa que eu aconselhe a ninguém.
Estive a testar o serviço de blogs do Sapo e, senhores, se ele não dá uma abada ao Blogger. Coisinha imprestável.


Segunda-feira, 7 de Julho de 2008

Romance Entre Vampiros


Na tua tumba ou na minha?


Sábado, 5 de Julho de 2008

As Minhas Confissões Finais na Qualidade de Adolescente


A adolescência é tramada - e não é por causa das borbulhas ou dos pais que não nos compreendem ou outros problemas que tais. E convém, da minha parte, admitir que eu já me perdi quanto às definições de adolescência ou idade do armário, sendo que na maior parte dos livros é dos 14 aos não-sei-quantos; a descrição dos sintomas assenta nos meus 10-13 anos, com os anos seguintes para recuperação. E a adolescência é tramada, muito tramada, porque não deve haver pessoas mais estúpidas, mesquinhas e cruéis que os (as) adolescentes - por muito que haja uma quantidade razoável de "adultos" que muito se esforcem por desmentir esta afirmação. Pelo menos, cada vez que olho para trás, arrepio-me.
Este final de ano (lectivo) serviu para me pôr a meditar, não no ano que passou, mas na minha longa lista de erros e pecados durante essa fase, e na lista das pessoas da minha idade com quem agi mal. Desta lista de pessoas, a grande maioria conseguiu ser muito mais cabra comigo do que eu com elas, por isso dificilmente sinto que lhe devo alguma coisa, excepto admitir que fui incorrecta. Sobram dois nomes, que me fazem sentir tão envergonhada e culpada.
Uma dessas pessoas está entre o "ora, que se f..." e o sentimento de culpa. Ela afastou-me, tratou-me com o desprezo que reservava a quem não era suficientemente adolescente. Ainda o faz. Pôs em prática aquela característica tão típica da idade, de desdenhar das pessoas simpáticas, acessíveis, aquelas que nos fazem sentir à-vontade e com quem não temos que andar sempre na corda bamba a exibir-nos e tentar ser aceites, porque os outros, os que nos fazem sentir sempre que estamos a um passo de ser excluídos, é que são os fixes. Ela fez-me isso, mas comigo era diferente, porque eu não fazia parte do círculo do dia-a-dia. Ouvi aqui há uns meses uma história em como ela tinha posto os patins a uma das amigas mais chegadas para andar com outra, uma dessas meninas fixes (isto mais parece a descrição de algum namorico, mas não há outra forma de o pôr; na verdade, as amizades eram tratadas como namoricos, aí é que está o busílis da questão). Pertencendo ambas agora à minha turma, torna-se tudo muito claro, na medida em que as descrições acima encaixam na perfeição em cada uma delas. E a culpa foi minha, porque fui eu que constantemente lhe fiz engolir essa treta da fixeza e tudo o resto. Foi o meu contra-ataque, na medida que o passatempo preferido dela era inferiorizar-me; nunca me apercebi da influência que tinha nela, e se tivesse percebido só teria achado que lhe estava a fazer um favor. Ela provavelmente concordaria. Devo-lhe um pedido de desculpas que ela nunca entenderia.
O outro nome é o que me faz definitivamente encolher de vergonha. Também aqui há meses, comentava com uma das minhas recentes colegas que essa pessoa tinha sido a única que conhecia há um período de tempo razoável que nunca me tinha feito nada que me fizesse pensar "grandessíssima filha duma ...". Só depois de o dizer é que fiquei a pensar em como isso era verdade. E como era verdade ela não poder dizer o mesmo de mim. Porque ela foi a amiga prestável e acessível que eu escorracei repetidamente, na minha ambição muito séria (no topo da lista dos meus erros e pecados, está isto de me levar tão a sério que agora me enjoa) de ser fixe. E do longo caminho da adolescência até aqui, ela foi a única pessoa que sobrou. A única. Eu não só lhe devo um pedido de desculpas como queria tanto pedir-lho, queria tanto conseguir arrumar aqueles anos pedindo-lhe desculpa. Não o faço, porque acho que explicar-lhe as minhas razões para me desculpar apenas a magoaria.
Foi esta, basicamente, a confissão que fiz a mim mesma, aquela que tenta pôr um ponto final nessa minha maneira de ser. Haveria outras confissões a fazer, mas esta deve ser a maior. E eu preciso de um ponto final, porque seria tão fácil escorregar outra vez para esse lado, um instinto que livro de auto-ajuda atrás de livro de auto-ajuda e SuperPOP atrás de Bravo cimentou e que vem sempre a cima mal me sinto apertada. Porque eu não sou assim, não sou nada assim. É - era - um instinto de sobrevivência, uma forma de não ser criticada. E devo dizer que tenho vergonha de ter sido fraca ao ponto de não entender essas críticas como um elogio. Porque é o que são. Os defeitos que me apontaram estão muito próximos da pessoa que quero ser.


Segunda-feira, 30 de Junho de 2008

Há coisas fantásticas - e não só na net


Eu, na minha inabalável dedicação aos meus penpals estrangeiros, para aqui ando a amassar o plano de traduzir para inglês, de forma extremamente livre, uma data de contos tradicionais portugueses. Pelo que lá fui ter à estante do folclore em sentido restrito da biblioteca e peguei num volume entitulado "Contos Populares Portugueses", que apregoava nas badanas o seguinte:



A colecção de contos, que compõem este volume, pode na sua totalidade considerar-se como inédita para o nosso público. Parte deles foi há anos impressa numa revista rigorosamente científica, Revista Lusitana, e como tal inacessível à grande maioria dos leitores. [blá blá blá]. De modo que em Portugal são completamente desconhecidos. [blá blá blá].



Serei só eu ou há aqui uma pequenina coisinha que não faz sentido? Vá lá, algo ligeiramente ridículo? Por favor digam-me que conseguem descobrir a coisa errada sem lupa (para a semana trarei uma sopa de letras, prometo). Uma pessoa nunca sabe quando está a resvalar para a picuinhice pura, mas fosca-se, isto não pode ser só dos meus olhos.


Sábado, 28 de Junho de 2008

Burra burra burra


Ora, agora que tenho a net só para mim, eu não estou a aproveitar para:
- Ver templates novos para o blog. Deuse sabe que ver templates novos para o blog é um divertimento do caraças aqui para mim.
- Actualizar a lista de links da barra ao lado. Sem comentários.
- Fazer downloads. Não tenho música nova há não sei quantos mil anos.
- O raio da galeria de fotografia "artística". Não vou lá desde, deixem-me cá ver, desde Maio.

A culpa não é inteiramente minha. Ontem fui arrastada para um tal cenário à Gabriel García Márquez que ainda estou azamboada. Só estava a ver quando é que me iam comunicar formalmente que tínhamos, sabe-se lá, tropeçado num campo magnético esquisitóide e sido transferidos para Macombo.


Segunda-feira, 23 de Junho de 2008

Leituras



Emma tinha-se debruçado à janela (instalava-se ali frequentemente: a janela, na província, substitui os teatros e os passeios) [...]



Estou a ler "Madame Bovary" e tenho a comunicar que, enfim, o sô Flaubert não tinha noção de "acção" e iria provavelmente dar-se mal neste século, já que artes para best-sellers não é coisa que lhe sobre. Eu gosto tanto do enredo, da ideia principal, que lia o livro até ao fim nem que estivesse escrito como os Lusíadas, mas não posso dizer que a abordagem me esteja a encher as medidas. Quer dizer, está tudo tão diluído nas descrições que se torna difícil apreciar os acontecimentos. Não sei explicar. Coiso.


Raios e coriscos


O meu computador anda mais lentinho que sei lá o quê. Sendo que eu estou habituada a que este computador seja a preciosidade novinha em folha que aqui tenho desde o dia em que o comprei, ou seja, personagem de poucas birras que abre janelas quando eu lhe digo para abrir janelas, não tenho paciência para aturar reminiscências do tempo do meu computador fixo, que era uma lata com manias que era tartaruga. Será que desfragmentar o disco serve de alguma coisa? Ou libertar espaço no disco? Quer dizer, já passei dos 128 MB livres para 6,44 GB. Mais também não.


Quinta-feira, 19 de Junho de 2008

Estupidez Crónica


Ora, no topo da lista das coisas que vou fazer nas férias está sempre o seguinte item: arrumar o quarto. Implicíto está que devo, também, mantê-lo arrumado. O que é apenas mais uma prova de que eu sou irremediavelmente idiota. Quer dizer, se eu quando estou na escola e apenas habito este canto em regime de part-time isto parece ter sido varrido por um ciclone, que será de esperar quando eu cá estou vinte quatro horas por dia, sete dias por semana, com excepção para ocasionais excursões à cozinha (sim, a minha vida é mesmo muito triste)?

Terça-feira, 17 de Junho de 2008

Dos MCA a Beethoven


Fiquei surpreendida por ver a Sandra Nasic um destes dias nos Morangos Com Açúcar. Claro que a primeira coisa que me passou pela cabeça foi a sua parecença com a Cruella De Vil (o que, a meu ver, só lhe fica bem), mas depois veio a surpresa. Até porque eu estava numa fase em que não esperava nada de bom, o que é justificável, uma vez que qualquer pessoa, depois de assistir às cançonetas dos 4Taste e das Just Girls, ainda por cima apresentados como as bandas mais in do momento, está pronto para desligar a televisão e ir enfiar-se debaixo dos lençóis, imensamente deprimido. Porque novamente deprimida ficaria eu se me referisse aos Morangos Com Açúcar sem os criticar, e dado que me aparecerem com a Sandra Nasic em palco os eleva perigosamente para perto dos valores positivos da minha consideração, devo dizer que, claro, a cantora só cantou "Fever", que foi a música que eles escolheram para a banda-sonora, e certamente apenas porque foi assim a única música que ouviram no rádio que se aplicasse aos jovens de eyelinner negro que puseram no enredo. Parece-me que os tipos que produzem os MCA não percebem nada de música da jubentude (esta foi má). Gostaria de pensar que isto acontece porque os produtores e argumentistas tivessem a opinião de que a música popular é para a ralé e que só gastassem os seus tímpanos com Mozart, Beethoven, Bach, Grieg, Scarlati, Purcell [sei que estão a estranhar e a admirar a minha cultura musical, e talvez também um pouco envergonhados com o vosso eventual desconhecimento de algum destes nomes. Fui buscá-los a um artigo da Wikipédia entitulado "Lista de compositores". Não exclusivamente para este fim - quase que caíam, hem? -; sim, eu faço downloads de Mozart no eMule. Gostei de encontrar lá o Grieg, de que tenho uma música de uma certa ocasião que quis achar uma música de "A Noiva Cadáver", assim como o Dominico Scarlati - a propósito, que tal era o exame de português do 12º? Vi as reportagens ao almoço; aproveito para dizer que jovens que preferem maldizer o "Memorial do Convento" quando podem maldizer Camões nunca hão-de ir a lado nenhum], Charpentier, mas isso era credulidade a mais.


Sei que depois de me referir anteriormente aos D'ZRT, e hoje aos 4Taste e Just Girls, só me restam dois nomes que os MCA trouxeram à música (e queixavam-se os gregos com o Cavalo de Tróia) para citar. Para impossibilitar qualquer post que tenha a Patrícia Candoso ou o FF como tema, acho melhor nomeá-los também. Arrepia-me as visitas que poderão advir destas referências. Vou enfiar-me num estantinho no StatCounter.


Rezem aos deuses que eu nunca fique desempregada quando chegar a minha altura. Só estou desocupada há dia e meio e e já fiz mais postes do que a média semanal, o mesmo se aplicando às parvoíces.


Passeatas Cibernéticas - eBay


Fica aqui solenemente dito por escrito que não mais voltarei a duvidar dos méritos e capacidades do eBay.
Ora, e porquê? Porque há pirolitos no eBay. Está bem, um pirolito. Mas onde mais é que eu poderia arranjar um? Exceptuando a possibilidade de assaltar o museu etnográfico da Lourinhã, não estou a ver.
(Bem, caso vocemessê, caro leitor, souber onde se arranja tal objecto, ou tiver um para aí em casa e o queira despachar, faça o favor de me contactar.)


Segunda-feira, 16 de Junho de 2008

...

Fez um ano que conheci a Amy Winehouse (conhecer, prontos, num sentido exclusivamente metafórico. Também não é perspectiva que me entusiasme por aí além). Se eu só tivesse ouvido falar dela através do repetir dos escândalos, quando a TV, lá nos seus dias mais alegres, condescende a ler em voz alta um tablóide inglês aqui para a malta, não lhe iria achar piada nenhuma. Se só tivesse ouvido falar como parece-que-há-por-aí-uma-Britney-Spears-ou-coisa-que-o-valha nunca ouviria com atenção uma música dela que fosse. Como a comecei a ouvir quando ela era assim uma coisa a modos que indie (note-se que a minha noção de indie é aqueles artistas que têm entrevistas de três ou quatro páginas na Blitz), para mim, por muita droga que a rapariga consuma e por muitas vezes que seja presa, nunca há-de deixar de ser essa coisa assim a modos que indie. Mais, fui eu que distribui as musiquinhas. Não gostando por aí além de ouvir músicas na moda, gosto muito de pensar que pus as minhas músicas na moda na minha pequena comunidade. Funcionou com os Wraygunn, fiquem sabendo. É sempre positivo arranjar companhia para concertos. Até porque já é tempo de deixar que o último concerto a que fui seja uma certa sexta à noite aqui há muitos anos. Ver os... Ah, não digo. Nunca mais deixavam de gozar comigo. Pronto, os D'ZRT. (Acho que vou desactivar os comentários neste post. Sempre me poupava a algum embaraço.)

Domingo, 15 de Junho de 2008

Facto


Tenho uma panca por livros que estejam atolados em referências culturais.


Sábado, 14 de Junho de 2008

...


Nunca fui capaz de perceber qual o encanto de passar horas ao telefone. Hoje passei o dia a querer agarrar no telefone e queixar-me do volume inimaginável de fotocópias que temos à disciplina de Biologia e Geologia e da seca que era ter que estar a arrumar toda a tralha da escola com alguém, com uma das pessoas que de ontem me despedi, não sei até quando.
O ano passado despedi-me de uma situação precária, a minha turma de 3º ciclo, com um tal alívio que não houve espaço para nostalgias ou arrependimentos. Ainda não há, embora eu bem pudesse lamentar uma ou outra pessoa que perdi pelo caminho. Ontem eu não me despedi de quase ninguém, não por mais de uns três meses. E tenho pena por esses três meses. Tenho pena de não me ter esforçado mais por me sentir à-vontade, até porque sei que se não sentir à-vontade ali dificilmente poderei senti-lo em qualquer outro sítio. E só não tenho mais pena porque partilho a minha cabeça com a retrospectiva do "deste ano para trás" e da percepção, cada vez mais acentuada, que eu, ao não me aceitar a mim própria, fui uma pessoa horrível com todos os outros, excepto com aqueles que, ao serem horríveis comigo, não se permitiram à rebaixaria de eu lhes poder expressar o meu desagrado. E esta ironia, a de só ter sido simpática e esforçada para quem não queria saber nada de mim, mói muito. Mas mesmo muito.


Quarta-feira, 11 de Junho de 2008

Aleluia


E não só porque fiz hoje o último teste deste ano lectivo.


Sinceramente, estou feliz por todo o arraial levantado (ou assentado) pelo bloqueio dos camionistas. Porque deve ser a primeira vez que vejo movimento, algo em que vejo que a lenta marcha do desastre fez finalmente soar alguns sinos e accionar algumas rodas dentadas, e estou muito feliz e descansada por isso. E se tiver que ser uma crise petrolífera a acordar o mundo, que seja. Porque este mundo dormente desgasta-me mais do que qualquer outra coisa, suspeito.


Segunda-feira, 9 de Junho de 2008

O que conta não é a intenção


Hoje passaram-me a mão pela cabeça, fazendo-me um elogio à minha capacidade de sintetizar as coisas, de me apropriar da informação, de a interiorizar e de a recriar pelas minhas próprias palavras. Esta capacidade, e a incapacidade de aprender o que quer que seja por qualquer outro método, principalmente decorar, já me tem trazido muitas dores de cabeça quando determinado professor exige respostas quilométricas e, já agora, em 95% palavreado do livro, com os outros 5% para sinónimos sugeridos pelo Word.
Curiosamente, quem me elogiou é exactamente o tipo de pessoa que quer esse tipo de respostas. Talvez porque ao fim de um ano a encorajar palha e a xerocópia (mental ou nem tanto. Coff), se tenha finalmente arrependido perante a pilha de testes de quatro páginas para corrigir. Vamos pensar que sim, aqui para os meus botões, para que a coisa deixe de me soar mais a uma crítica que qualquer outra coisa. Soou a crítica, a corte na casaca, mas eu não importo nada com isso. Porque aquelas palavras foram para mim um reconhecimento que me deixaram contentes como poucos teriam deixado - ainda que a intenção não fosse essa. E por vezes tenho dificuldade em explicar isto às pessoas, que não quero tanto a sua aprovação subjectiva, tantas vezes leviana ou falsa, como quero as suas honestas opiniões.